Do Everest a Roraima: 10 montanhas que definiram a carreira de brasileira
Primeira mulher negra latino-americana a chegar ao topo do Everest, Aretha Duarte compartilhou desafios e aprendizados de escalar montanhas por todo o mundo
O que é necessário para escalar o Monte Everest, no Nepal, ou encarar os desafios do Aconcágua, na Argentina, e do Kilimanjaro, na Tanzânia? A alpinista e guia de montanha Aretha Duarte já percorreu esses caminhos e conhece as necessidades de cada montanha.
Conhecida como a primeira mulher negra latino-americana a escalar o Monte Everest, Aretha já passou por diversos cumes que aprimoraram sua técnica, sua visão de mundo e sua atuação como liderança feminina e empreendedora socioambiental.
Aretha compartilhou com o CNN Viagem & Gastronomia as principais montanhas que marcaram sua carreira, características e curiosidades de cada uma. Conheça:
1. Monte Everest (8.849 metros) - Nepal
Aretha Duarte escalou o Everest em 2021, tornando-se a primeira mulher negra latino-americana a alcançar o topo da montanha.
Para chegar lá, a atleta recolheu resíduos recicláveis nas ruas, como plásticos e metais, para juntar dinheiro necessário para a missão. Com a ajuda da mãe, foram arrecadados 130 toneladas desse material em 14 meses. Ela também fez vaquinhas, bazares de roupas e teve ajuda de empresários para reunir R$ 400 mil.
Após concluir o projeto, Aretha avalia que o monte de 8.849 metros sintetiza a combinação de preparo técnico, estratégia e gestão de risco que orientam sua carreira no montanhismo.
Durante a escalada, ela enfrentou frio extremo, rarefação de oxigênio e longas horas acima dos 8 mil metros de altitude. Segundo a alpinista, a montanha ensina sobre propósito. "O cume do Everest foi mais do que a chegada ao ponto mais alto do planeta, mas um manifesto sobre acesso, representatividade e sustentabilidade", afirma.
A temporada de escalada da montanha mais alta do mundo segue de março a maio, na primavera do hemisfério norte.
2. Aconcágua (6.962 metros) - Argentina
O "guardião dos Andes" é, para Aretha, uma escola de alta montanha. Antes de concluir a escalada, ela vivenciou cinco vezes as variações do clima árido e hostil, os ventos fortes e as exigências de logística e aclimatação que fazem do Aconcágua um desafio subestimado por quem o chama de "não técnico".
Na montanha da Argentina, a alpinista aprimorou sua leitura de terreno e seu julgamento de risco. "Essa montanha me ensinou sobre resiliência, resistência de força e também sobre o que é essencial na vida, ser minimalista, com um pouco de comida, ar, abrigo e relacionamentos saudáveis", comenta.
O período de escalada da montanha ocorre entre meados de novembro e meados de fevereiro.
3. Monte Kilimanjaro (5.895 metros) - Tanzânia
O ponto mais alto da África tem diferentes paisagens à medida que ganha altitude, indo de savanas até um topo glaciado.
No Monte Kilimanjaro, Aretha liderou a “Expedição Sankofa”, reunindo brasileiros negros em uma experiência de pertencimento. Para ela, foi uma vivência importante de liderança feminina no ambiente de altitude.
"Ver pessoas que antes não se viam nesses lugares chegarem ao topo da África foi uma vitória coletiva. O 'Kili' também me ensinou sobre a importância da diversidade para o processo de criatividade e inovação, além da importância do trabalho em equipe para o alcance do objetivo", disse a alpinista.
A temporada de escalada no Kilimanjaro está disponível o ano inteiro.
4. Monte Elbrus (5.642 metros) - Rússia

Monte Elbrus é um vulcão de dois cumes na Rússia • Wikimedia Commons
O cume mais alto da Europa, no Cáucaso, é um vulcão de dois cumes que combina campos de gelo com mudanças bruscas de tempo.
Durante a ascensão, Aretha encarou variações térmicas intensas e trechos com muito vento. Essa experiência consolidou seu repertório em deslocamento em glaciar e gestão de energia em longas janelas de ataque ao cume.
Para ela, a escalada reforçou a importância de respeitar o relógio da natureza e negociar com o vento, além da capacidade de adaptação, resiliência ao frio e a lidar com as mudanças.
A principal temporada de escalada no Monte Elbrus é no verão.
5. Huisalla, Acotango, Parinacota e Sajama - Bolívia
Em 2022, Aretha foi à Bolívia e conquistou os cumes de Huisalla, Acotango, Parinacota e Sajama, este último como parte do projeto Cielos de los Andes, que busca alcançar a montanha mais alta de cada um dos sete países andinos.
Em 2023, a alpinista liderou uma expedição feminina à Cordilheira Real, na Bolívia, conhecida como o "Himalaia da América do Sul" pela grandiosidade das montanhas e pela beleza das geleiras. Com picos que ultrapassam 6 mil metros, a região combina desafios técnicos e visuais deslumbrantes com neve, rocha e a cultura andina de vilarejos que mantêm tradições ancestrais aos pés das montanhas.
Para Aretha, as lições dessas experiências foram sororidade, compaixão, intuição e as forças do feminino.
A temporada de escalada acontece principalmente na estação seca, que vai de maio a outubro.
6. Campo Base do Everest - Nepal
O Campo Base do Everest é um marco geográfico a 5.364 metros no Nepal. O local também é um ambiente vivo, com rotinas de aclimatação, escolas de gelo e cultura sherpa, etnia da região mais montanhosa do Nepal.
Aretha esteve no campo em diferentes momentos da carreira, onde aprendeu na prática sobre segurança, convivendo com operações de rota e aperfeiçoando sua preparação para alta montanha. A experiência transformou sua visão sobre gestão de risco, colaboração em ambientes extremos, empatia, escuta ativa e acolhimento.
O início da temporada de escalada no Campo Base do Everest geralmente é na primavera, de março a maio, quando alpinistas se preparam para o cume, e no outono, de setembro a novembro, após as monções, oferecendo céus limpos e condições ideais para trekking.
7. Monte Roraima (2.810 metros) — Brasil/Venezuela/Guiana

Monte Roraima é um tepui, caracterizado por penhascos verticais e um cume plano • Marcelo Alex/Wikimedia Commons
O Monte Roraima, na tríplice fronteira, é considerado o tepui mais alto do mundo. É um ambiente mais tropical do que glacial, com paredes verticais e topo plano, que abriga rica fauna e flora.
Para a montanhista, escalar o Monte Roraima foi um desafio diferente que a ensinou a ouvir o ritmo do lugar. "Aqui a técnica é menos gelo e mais respeito à água, ao tempo da floresta e à história que a montanha guarda. A grande lição dessa montanha é a força da inteligência espiritual".
A temporada de escalada e trekking é principalmente na estação seca, que vai de outubro a março.
8. Denali (6.190 metros) - Estados Unidos
Localizado no Alasca, o Denali é a montanha mais alta da América do Norte e um dos ambientes mais severos do montanhismo mundial. Com aproximação em glaciar e clima imprevisível, o cume combina técnica, logística e resistência.
Aretha destaca o Denali como uma montanha de natureza bruta e parques nacionais, além de servir como referência de planejamento para expedições em frio extremo.
A temporada principal de escalada vai do final de maio até meados de julho.
9. Monte Logan (5.959 metros) - Canadá
O Monte Logan, na região de Yukon, no Canadá, tem platôs extensos e gelo profundo. Para Aretha, o Logan traduz Canadá em escala geográfica e respeito a áreas protegidas: uma engenharia de paciência, navegação e leitura de tempo.
É um destino que fascina montanhistas do mundo todo pela grandiosidade e pelo desafio de permanecer forte em janelas longas.
A temporada de escalada do Monte Logan geralmente vai de meados de abril ao final de junho.
10. Pico de Orizaba (5.636 metros) - México

Pico de Orizaba é o ponto mais alto do México • Wikimedia Commons
O Pico de Orizaba é o ponto mais alto do México, um vulcão com cone perfeito que domina a paisagem e atrai quem busca altitude, cultura e beleza.
Com aproximação relativamente acessível e um ataque ao cume que exige ritmo, aclimatação e domínio de progressão em neve, Aretha o considera porta de entrada para muitos latino-americanos que sonham com seus primeiros 5 mil metros de altitude. “É um cume bastante escolhido por quem está começando e que inspira a dar o próximo passo”.
A temporada de escalada ocorre durante a estação seca do México, com o auge entre dezembro e abril.
Próximos passos
O próximo projeto pessoal de Aretha é completar o projeto Cielos de los Andes. Até o momento, ela já esteve em três dos sete maiores cumes andinos: Aconcágua (Argentina), Chimborazo (Equador) e Sajama (Bolívia).
Ainda faltam: Ojos del Salado (Chile), Huascarán (Peru), Pico Bolívar (Venezuela) e Pico Cristobal Cólon (Colômbia).
Fonte. https://www.cnnbrasil.com.br/viagemegastronomia/viagem/do-everest-a-roraima-10-montanhas-que-definiram-a-carreira-de-brasileira/
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